Saint Paul recebe Aretha Duarte, primeira mulher negra e latina a escalar o Everest

Em evento do Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W), Saint Paul recebeu Aretha Duarte.


Comandando pela anfitriã e Diretora do ABP-W, Chris Aché, o bate-papo contou com a presença das alunas que puderam conhecer a história inspiradora de Aretha e interagir com a montanhista.

A história de Aretha com o esporte começa em um bairro periférico de Campinas, onde nasceu: “Eu era uma super zagueira, o futebol era o esporte da periferia”, conta a ativista ambiental.
Apesar de desde criança ter manifestado interesse por esporte, Aretha ressalta que, até hoje, o montanhismo e outros esportes menos conhecidos não chegam à periferia.
Seu maior desejo e missão é justamente apresentar oportunidades para jovens e crianças que mais precisam de apoio: “O meu proposito é gerar transformação socioambiental. Eu quero que as pessoas da minha comunidade tenham oportunidades. Que os jovens tenham escolhas e uma boa expectativa de vida. Garantir que uma parede de escalada, filosofia, artes, robótica e outras coisas cheguem na periferia. Se as oportunidades chegarem aqui, toda a sociedade ganha”.

Formada em Educação Física, sua paixão pelo montanhismo começou em 2005, quando iniciou seu trabalho como guia profissional de escaladas, e o despertar para o Everest em 2019, quando viu uma foto de um colega no monte de 8.848 metros: “Naquele momento senti uma emoção e o desejo de escalar o Everest”.

Apesar do forte desejo e anos de prática no montanhismo, Aretha tinha o grande desafio de arrecadar R$400 mil para bancar a jornada.

A empreendedora social, que já na infância juntava latinhas na rua, retomou o trabalho de catadora para ter os recursos necessários para a escalada.
Além do próprio trabalho, Aretha engajou toda a comunidade no processo de reciclagem. 500 kg de latas foram arrecadadas. Essa quantidade representou 35% do valor necessário para a jornada ao Everest.
Por mais que trabalhasse de domingo a domingo, Aretha percebeu que apenas esta estratégia não seria suficiente para chegar em sua meta. Então foi atrás de outros recursos.
Participou do quadro The Wall, do Caldeirão do Huck, para completar o dinheiro que ainda faltava e, com a repercussão que seu projeto teve, conseguiu também o patrocínio da Moove Brasil.

Ao ser questionada por uma das alunas sobre pensamentos negativos de outras pessoas sobre seu sonho, Aretha contou que algumas delas achava impossível tornar-se realidade, mas rebateu: “Não é outra pessoa que vai falar para mim o que é possível ou impossível de realizar”.
Perguntada sobre representatividade, ressalta que o fato de ser uma mulher negra a escalar o Everest é muito significativo para que outras mulheres possam escalar o seu próprio Everest.

O bate-papo trouxe muitas reflexões para as alunas presentes, que demonstraram sua emoções em elogios e admiração pela montanhista:
“Aretha, que força, que exemplo!”
“Muito inspiradora sua determinação! Parabéns Aretha!”
“Aretha, estou emocionada!!! Que privilégio começar o dia ouvindo a sua história!!!”
“Parabéns Aretha, pelo belo exemplo!!! Muitos jovens não tem como meta subir o Everest, mas conseguir um primeiro emprego, realizar seus sonhos, e sem experiência e sem condições, eles se deparam com muitas dificuldades, medos e pessoas as desencorajando. Esse primeiro emprego é o Everest dessas pessoas e você é a prova que elas não devem desistir, não baixar a cabeça, não dar ouvidos aos que não estão incentivando, mas manter o foco e perseguir seu sonho!!! Parabéns!!!”
“Sua emoção transborda em todos nós.”
“Aretha, muito obrigada ! Que tenhamos essa força avassaladora para escalarmos nosso Everest! Sua fala é transformadora.”
“Aretha, emocionante! Você está irradiando inspiração <3”
“Não consigo fazer perguntas… só reverência a essa mulher maravilhosa, inspiradora e corajosa.”
“Que lição de vida e inspiração
🙌🙏
“Aretha, que inspiração te ouvir. Nada é impossível, que bom que você não teve dúvida da sua capacidade. Me sinto profundamente honrada em te ouvir.”

Aretha conquistou sua tão sonhada jornada e no dia 23 de maio, quando, por volta de 10:24 (horário Nepalês), 01:39 (horário de Brasília), se tornou a primeira mulher negra latino-americana da História a chegar no lugar mais alto do mundo.
Como costuma brincar, atingiu seu PIB, o Poder Interno Bruto.

Confira o bate-papo na íntegra:

O programa ABP-W é feito por e para mulheres. Em sua 11ª edição, já preparou diversas profissionais para cargos de conselheiras e liderança.
Saiba mais sobre o High Impact Program.