A Transformação da Força de Trabalho em Tempos de Automação

Globalmente, empresas, Governo e sociedade fazem previsões sobre o futuro do trabalho atrelado à automação que se faz cada vez mais presente em nosso cotidiano e, consequentemente, quais as profissões serão mantidas, quais deixarão de existir e, principalmente, quais as novas ocupações serão criadas. Elaborar previsões e cenários não é tarefa simples, porém, com base em pesquisas desenvolvidas por consultorias, órgãos governamentais e universidades, identificamos direcionadores no que tange às transformações pelas quais a força de trabalho será afetada:

  • Tecnologias de automação, incluindo inteligência artificial, IA, e robótica geram benefícios para os negócios e para a economia, pois aumentam a produtividade. Existem vários debates sobre a adoção dessas tecnologias influenciar a demissão de trabalhadores. Sabemos que 60% das ocupações atuais possuem ao menos 30% de atividades repetitivas, passíveis de automação. Porém, ao mesmo tempo, a IA e a robótica podem criar novas oportunidades de trabalho, pois serão necessários desenvolvedores, programadores, engenheiros e especialistas para desenvolverem as novas tecnologias;
  • Uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, em 2018, em 46 países indica que até 1/3 das atividades de trabalho praticadas atualmente deixarão de existir até 2030. Essa proporção varia em cada país, sendo que os países desenvolvidos serão mais impactados pela automação do que os países em desenvolvimento, refletindo maiores incentivos para o processo de automação;
  • Nessa mesma pesquisa foi desenvolvido um cenário que até 2030, de 75 até 375 milhões de trabalhadores (aproximadamente 14% da força de trabalho total) deverão trocar o segmento da sua ocupação. Além disso, todos os trabalhadores terão que se adaptar a introdução da automatização em suas respectivas atividades. Para vários setores será necessário que o trabalhador aprimore suas habilidades sociais, emocionais, criativas ou mesmo capacidades cognitivas de mais alto nível, pois essas capacidades são bem mais difíceis de serem automatizadas;
  • Para atingir os níveis exigidos de qualidade de produto e desenvolvimento de políticas, por exemplo, a liderança das empresas terá que adotar os benefícios da automação ao mesmo tempo que direcionam a transição dos seus colaboradores para as novas tecnologias. A formação profissional é essencial ao passo que vai aumentar o dinamismo do mercado e habilitar a realocação do trabalhador. Essas mudanças vão desafiar o modelo tradicional de educação, os modelos de treinamento da força de trabalho, bem como novas abordagens de negócios para o desenvolvimento de habilidades. Outra prioridade é repensar e reforçar o processo de transição e suporte de receita para os trabalhadores na fase de transição para a automação.

Assim, pelos fatores previamente mencionados, para quase todas as ocupações, nossa expectativa é que várias atividades desenvolvidas hoje por seres humanos passem a ser desenvolvidas por máquinas e/ou softwares. Até 2030, esperamos que os trabalhadores do futuro coloquem mais tempo e dedicação em atividades que requeiram interação com as demais partes envolvidas, gestão de pessoas e menos tempo em atividades físicas previsíveis, coleta de dados, processamento de dados, pois para essas atividades, as máquinas possuem um desempenho superior ao dos humanos. Em resumo, esperamos que as atividades dos trabalhadores se concentrem na interação humana e em ambientes / situações não previsíveis, onde é necessário a aplicação de um conhecimento específico.

Entendemos que cada vez mais é necessário que a força de trabalho desenvolva habilidades sociais, emocionais, bem como capacidades cognitivas avançadas, como raciocínio lógico, por exemplo. Assim, temos um desafio para a educação, treinamentos e modelos de mapeamento de capacidades que, geralmente, não enfatizam tanto os “soft skills” como o raciocínio emocional. Outras ocupações também vão requerer um nível maior de desempenho que será alcançado com outras habilidades. Por exemplo, as máquinas serão capazes de desenvolver atividades a partir níveis básicos de informações e compreensão da linguagem natural. Em países emergentes, um vendedor do setor de varejo passa 20% do seu tempo no trabalho desenvolvendo atividades que podem ser automatizadas. Os aspectos mecânicos do trabalho como processar transações e buscar informações dos produtos também podem ser automatizados. Nesse sentido, os funcionários do varejo poderão colocar mais atenção em atender pessoas, por exemplo, cumprimentando clientes, tirando dúvidas e sugerindo novos produtos do que em atividades repetitivas, como a organização de estoques.

A mudança nas capacidades não está limitada somente às funções que são linhas de frente. Muitos funcionários possuem empregos que requerem alto nível educacional e ainda assim passam boa parte do seu tempo coletando e processando dados. Por exemplo, os gerentes financeiros poderiam gastar menos tempo monitoramento o fluxo de pagamento ou aprovando despesas, caso esses processos estivessem automatizados corretamente, focando mais em funções realmente de gestão como provendo coach para a sua equipe e/ou solucionando problemas do negócio. Destacamos como principais capacidades a serem desenvolvidas pelos funcionários até 2030:

  1. Capacidades cognitivas – reconhecimento de padrões e categorias; geração de novos padrões/categorias; resolução de problemas/raciocínio lógico; planejamento e otimização; criatividade; articulação; coordenação multidisciplinar;
  2. Processamento de linguagem natural – geração de linguagem natural; entendimento da linguagem natural;
  3. Capacidades sociais e emocionais – raciocínio social e emocional

Avaliando o LinkedIn, por exemplo, também podemos notar que os profissionais têm destacado mais as habilidades relacionadas às “soft skills”, como gestão, liderança, planejamento estratégico.

Os líderes de negócios já estão adotando a automação e a IA ao mesmo tempo em que estão gerindo a transição da sua força de trabalho. A adoção bem sucedida da automação requer que as empresas revisem todos os seus processos de negócios para extrair vantagens da tecnologia adotada ao invés de simplesmente automatizar as atividades dos processos atuais. Como parte desse modelo de revisão, as empresas precisam reavaliar a respectiva estratégia de talentos e a necessidade da sua força de trabalho, considerando como os funcionários podem desenvolver outras tarefas, bem como se novos talentos serão necessários. Muitas empresas identificam a necessidade de treinar e preparar seus colaboradores para novos desafios do negócio. Algumas empresas contratam educação externa, outras desenvolvem treinamentos internos e algumas companhias possuem um modelo híbrido de capacitação. As principais ações que as empresas estão tomando para se adequar às demandas futuras envolvem:

  • Acelerar a implementação da IA e da automação;
  • Redesenhar os processos de negócios para alavancar ganhos de produtividade;
  • Repensar o desenho organizacional;
  • Desenvolver as principais competências digitais e analíticas;
  • Adaptar a estratégia de talentos e gerenciar a transição da força de trabalho

Em contrapartida, os trabalhadores devem estar preparados para o lifelong learning, ou seja, aprendizagem contínua e carreira em evolução, de forma a estarem aptos para o futuro do trabalho. Obter as novas habilidades que estão sendo demandadas pelo é crítico para a manutenção do indivíduo nas empresas. Os trabalhadores precisam revisar seus conceitos tradicionais sobre: onde eles trabalharam, como eles trabalham e quais são as capacidades e valores que eles agregam às suas funções. Destacamos algumas ações que podem ajudar os trabalhadores em sua jornada:

  • Adotar uma postura de ser a sua própria startup
  • Adquirir habilidades que são demandadas pelo mercado além de adotar o modelo lifelong learning
  • Preparar-se para um mundo onde os empregos passam a ser cada vez mais digitais
  • Considerar novas formas de trabalho