3 dicas importantes para realizar um gerenciamento de riscos eficiente

A análise de riscos consiste na identificação, priorização e gestão das vulnerabilidades do negócio que possam vir a gerar perdas futuras para a empresa. No ambiente corporativo é fundamental contar com esse estudo para garantir a performance operacional, financeira e estratégica da empresa. Isso porque todas as corporações, sem exceção, estão suscetíveis a riscos.

Um exemplo clássico de falha na gestão de riscos aconteceu com o suco Ades, da Unilever. Após algumas pessoas que ingeriram a bebida serem hospitalizadas, foi detectado a contaminação de um lote do suco por produtos de limpeza utilizado em uma das máquinas de engarrafamento. Nesse caso, houve falha na gestão dos riscos operacionais.

Situação parecida de falha na gestão dos riscos, porém nesse caso dos riscos de mercado, ocorreu com a Sadia, que ao fazer uma má avaliação sobre o cenário financeiro e econômico, optou por realizar uma especulação cambial e teve prejuízo de R$ 760 milhões, ocasionado principalmente por posições em contratos de futuros e opções cambiais. O fato levou à demissão do diretor financeiro da empresa, em 2008.

Diante disso é importantíssimo contar com estratégias para fazer um gerenciamento de riscos assertivo.

Veja três dicas que preparamos sobre o tema:

#1 – Faça um diagnóstico

 

A primeira atitude que deve ser tomada pela empresa para gerenciar os riscos é fazer um diagnóstico e para isso deve-se conhecer profundamente o negócio da empresa.

Isso significa que é necessário identificar as vulnerabilidades de acordo com as características da companhia e do mercado de atuação. Uma maneira de potencializar os resultados do diagnóstico é por meio de pesquisas e conversas com os responsáveis pelas atividades de cada área dentro da corporação.

Nessa etapa é importante identificar os riscos potenciais e as perdas que podem ocorrer dentro da empresa, como por exemplo, perda de estoque, de receita, perda no valor dos ativos, elevação de custos ou ainda perda de capital intelectual e participação de mercado.

Lembre-se: investir no gerenciamento de riscos não quer dizer que a empresa está com problemas e, sim, que ela está se preparando para lidar com os riscos potenciais.

 

# 2 – Priorize os riscos

Ao realizar o diagnóstico, provavelmente, você terá uma lista grande dos possíveis riscos da empresa. Agora, é hora de mapear os que são mais relevantes. E como identificar isso? Faça uma análise  de probabilidade e de impacto.

Sendo assim, para cada risco identificado você vai estimar a probabilidade de ele ocorrer. Por exemplo, qual a probabilidade de um cliente fazer um parcelamento de uma compra e não o pagar? Caso isso aconteça, essa situação é isolada ou deve ocorrer mais vezes? Qual é a frequência com que esse evento pode ocorrer?

Para obter essas informações você pode se basear no histórico da empresa ou ainda no histórico do mercado. O ideal é desenvolver um banco de dados para registrar todos esses eventos e acompanhar sua evolução.

Além da frequência, outro fator que deve ser levado em consideração é o impacto financeiro que pode ser gerado na empresa no caso do risco se concretizar. Por exemplo, se houver a inadimplência, qual será o tamanho do dano? É desta forma que você conseguirá definir os riscos que devem ser gerenciados. Todos os riscos que tiverem alta probabilidade de ocorrência, alta frequência, ou ainda alto impacto financeiro, devem ser priorizados e gerenciados.

 

#3 – Gerencie os riscos

Pronto. Agora que os riscos já foram mapeados e classificados como relevantes, chegou a hora de fazer o gerenciamento. O primeiro passo é identificar as causas e a partir de então estabelecer controles ou políticas. No caso da inadimplência, uma saída é criar processos para estabelecer uma política de concessão de crédito.

Uma empresa que oferece crédito para os clientes precisa fazer o gerenciamento do seu risco de crédito. Uma das maneiras de reduzir o risco seria estabelecer uma política de concessão de crédito. Por exemplo, o valor só será liberado se o cliente apresentar um comprovante de renda e não for negativado.

Outra possibilidade é definir um novo procedimento. Se tem uma chance de risco alto por conta de erros em relatórios, pode-se adotar um modelo de checagem dupla das informações.

Em linhas gerais, os principais riscos de uma empresa estão relacionados ao crédito, mercado (cambial), erros de processos (operacional) e estratégia. Por isso, fazer a gestãode riscos é mandatório para o sucesso da organização. Mas lembre-se, o gerenciamento de riscos deve ser um processo contínuo. Afinal, os cenários mudam o tempo todo.